O Projeto “Resistência & Persistência” foi idealizado por um jovem comum, mas com uma alma inquieta e um coração sedento por mudar o mundo

Nascido Vinícius Braga Arouca, em SP, no dia 30 de maio de 1995, desde os 18 anos esse rapaz se viu engajado em projetos sociais, tais como alimentar pessoas em situação de rua, visitar asilos e contribuir com as necessidades de idosos carentes, especialmente no que se refere à atenção e cuidados.

Mais tarde, conseguiu instituir um projeto de educação extracurricular para crianças dentro de algumas escolas públicas da zona Norte da cidade de São Paulo, no contraturno.

A ideia do Vini, como gosta de ser chamado, era promover um ambiente para que essas crianças, através da arte e da música, encontrassem um espaço onde fossem escutadas e aprendessem a lidar com questões emocionais do dia a dia, muitas vezes bastante complicado, até mesmo dentro de casa.

Diante da surpreendente adesão das crianças e do desejo de ampliar as formas de inventivo e motivação, Vinícius correu atrás de cotas de patrocínio e de voluntários e conseguiu montar o Instituto Resistência & Persistência, sediado no bairro Vila Mazzei, também zona Norte de SP.

Desde criança me sentia contrário às escolhas e aos caminhos que muitos de meus amigos e até alguns de meus familiares tomavam. No início da minha adolescência, comecei a ver as coisas ao meu redor de uma maneira diferente. Meu pai me mostrou os primeiros passos para que eu me tornasse independente e minha mãe sempre conversou muito comigo, me orientando sobre o mundo e suas adversidades.

Apesar de ser o mais novo e mais “folgado” da turma, nunca fiz nada que não julgasse correto só para ser aceito. E isso terminou me afastando de alguns amigos, já que minhas atitudes não eram condizentes com o que eles consideravam legal, divertido ou até mesmo útil para eles.

Logo as drogas chegaram na minha turma. Vi algumas pessoas muito próximas se tornarem bandidas. Outros eram os “malandrões”, pois acreditavam que ganhariam respeito com isso.

Desde então, fui me dando conta que uma adolescência sem preparo é uma bomba relógio. Quando meus amigos se tornaram adictos pude notar uma mudança brusca de comportamento e atitude. Passaram a praticar pequenos furtos e vender drogas e eu fui o cara que ficou de lado. Não via graça em nada daquilo. Queria jogar bola, brincar na rua sem ter hora pra parar.

Eu queria ser livre de qualquer coisa que me fizesse diferente daquilo que eu sou, mas confesso que é tentador quando você vê seu amigo de roupas novas e bonitas, com dinheiro no bolso e um monte de menina bonita ao seu redor, mas algo dentro de mim me fazia enxergar tudo aquilo como algo triste e vazio.

O tempo passou e comecei a ter muitas notícias ruins sobre o rumo que alguns de meus amigos mais próximos tinham tomado. Até que um dos meus melhores amigos, o Marquinhos, que era destemido e acreditava estar certo no seu caminho, teve uma overdose de lança perfume com Whisky.

Fui ao seu velório e, assim que cheguei, corri para segurar a mão da dona Conceição, mãe do Marquinhos. Ela se apoiou em mim, olhou nos meus olhos e disse algo que fez minha alma se contorcer dentro do meu corpo: “É filho, eu disse tanto pro Marquinhos andar com você”.

De alguma forma, me senti responsável por ter tido medo de dizer algo para o Marquinhos enquanto ainda era tempo. Mas ao entrar na sala do velório e me deparar com o corpo dele dentro daquele caixão, com o som de choros dolorosos e o cheiro da morte, ancorei aquela sensação dentro de mim e me fiz uma promessa!

Eu nunca mais teria medo de falar a minha verdade na tentativa de salvar uma  vida, de inspirar alguém a ser melhor, de tirar um ser humano da lama! Eu nunca mais iria me acovardar perante os problemas!

Foi quando comecei a descobrir que a minha missão de vida é fazer a diferença na vida de outras pessoas. Esse é o motivo do meu coração pulsar incansavelmente dia pós dia. O Marquinhos foi só mais um entre tantos outros que se perderam por não ter alguém que os ajudassem.

Meu desejo é que eu possa transformar uma vida por dia, nem que seja com um sorriso ou um abraço. Mas, com a sua ajuda, eu tenho certeza de que posso fazer muito mais.