Projeção de Aulas

 

As aulas citadas nessa projeção são utilizadas no projeto Resistência & Persistência e geram um resultado positivo notável. A descrição de algumas delas serve para que haja uma maior compreensão sobre como o projeto em si funciona.

 

Projeção de aulas

 

Todas as aulas do projeto Resistência e Persistência têm como objetivo principal a forma de expressão através da arte marginal. Os alunos recebem conhecimento sobre sociologia, filosofia, psicologia, comportamento humano, política básica e outras áreas de desenvolvimento pessoal. Assim sendo, podem ter uma base para distinguir o que é certo e errado para si e quais decisões tomar perante suas dificuldades e dúvidas.

Eles aprendem como base o Grafite e o RAP, que servem como instrumentos de desabafos, protestos, questionamentos, agradecimentos e soluções, tanto para suas dores e problemas, quanto para suas conquistas e história de vida.

São fornecidas ferramentas poderosas para que eles tenham autoconhecimento amplo e busquem suas respostas dentro de si mesmo, analisando seus sonhos e desejos a partir de sua essência e não seguindo o ciclo vicioso dos problemas do mundo externo.

Todo conteúdo tem foco no que cada aluno acredita que seja bom para si, respeitando a individualidade de cada um e podendo assim facilitar sua trajetória de conquistas e realização de sonhos com mais rapidez e clareza. O apoio emocional é algo pouquíssimo trabalhado nos jovens hoje em dia e essa se torna a maior problemática na juventude atual, pois, sem um caminho a ser trilhado e sem foco no que realmente se quer, somado à falta de estrutura familiar, social e profissional, os jovens tendem ao envolvimento com a criminalidade e adição de drogas, além do autoabandono, que acarreta diversas disfunções psicológicas e psicossociais.

Com bases em diversos estudos, formações pessoais e livros, pude juntar meu conhecimento em comportamento humano, além de unir minha veia artística para levar esperança a esses jovens com um trabalho totalmente novo e inusitado, com resultados muito positivos.

Pude vivenciar um ano de aprendizado em sala de aula e agora, com mais preparo, trago através dessa cartilha bases de várias aulas que desenvolvi e que vêm dando resultados extraordinários.

 

  1. Base de RAP o início

Esta aula é apresentada para, sobretudo, mostrar aos alunos a simplicidade de se expressar através de versos melódicos ou não. A musicalidade é explicada com total simplicidade, junto com o conjunto de palavras combinantes (rimas), introduzindo a questão do significado e sentido de tudo que eles escrevem, que será absorvido por eles e todos que tiverem contato com sua arte. A importância dessa aula é mostrar que tudo que eles colocarem no papel através da arte ensinada tem que ser verdadeiro e vir totalmente do sentimento mais puro que eles carregam, ajudá-los a encontrar algo dentro deles que eles não tenham percebido ou tenham um certo medo de expressar, como dores, temores, sonhos, traumas, etc.

A base do RAP se constitui em sentimento aliada a razão como forma de expressão, mostrando o conhecimento de cada aluno, respeitando com total clareza sua individualidade. Para que eles entendam como formar versos combinantes, explico como temporizar e encontrar a forma certa de por pra fora através de palavras coisas que talvez nem estejam bem definidas em seus corações.

Métrica:

A métrica é a forma de temporizar e ritmar qualquer poesia, com isso os alunos aprendem a já escrevem no ritmo, combinando os tamanhos de frase com a velocidade que ela é dita ou cantada. A métrica é marcada com um som, como o de um ponteiro de relógio em movimento marcando o tempo do b.p.m. (batida por minuto), a mesma marcação que é usada para definir o batimento cardíaco. Ela tem ligação direta com a quantidade de palavras que o aluno vai colocar em cada frase e a velocidade da música. Esse exercício proporciona contato íntimo com o sentimento que o ouvinte vai ter ao ouvir, pois tem uma sintonia física direta com os batimentos cardíacos através do b.p.m. da música. A métrica, portanto, é basicamente o coração de qualquer música.

Rima:

Se a métrica é o coração da música, a rima com certeza constitui seu corpo físico. As rimas são um conjunto do que o aluno mostra para o ouvinte, diz tudo o que ele quer passar de conteúdo e mensagem em cada trabalho feito.

As rimas podem ser feitas de diversas formas com diversos “flows”, sendo isso o que define a individualidade de cada artista.

Na aula eles aprendem três tipos de rima:

Rima simples

A rima simples é composta de duas frases com o foco na última palavra de cada frase, por exemplo:

Seja forte, esteja preparado

Cuide de quem sempre está ao seu lado

Rima Composta

A rima composta é um misto de duas simples alternando, 1 rima com 3 e 2 rima com 4, podendo usar “flows” mais diferenciados, por exemplo

Eu clamo por liberdade, aceito a minha missão

Mentira contra verdade, eu sigo na contramão

Rima de tempos

A rima de tempos já é um trabalho mais avançado que vem sendo desenvolvido com muito treino e escrita. Ela constitui de dois versos com diversas rimas dentro deles e sem perder a métrica. É mais complexo esse tipo de escrita pela quantidade de rima, sentidos e “flow”. Porém, conforme o aluno vai ficando experiente, ele consegue com toda a certeza usar a rima de tempos em suas músicas e poesias. Exemplos de rima de tempos:

Colha seus frutos, o tempo é curto, mentes em curto

Esperança não gera luto, prepare-se para o próximo surto

Esses são os 3 tipos de rimas que são ensinadas na aula do projeto “R&P”. A última ferramenta é algo que já vem de dentro deles, pelo sotaque e maneira que eles falam, essa ferramenta é o “flow”.

Flow

O Flow é o seu estilo de cantar, é uma mistura de métrica com o seu ritmo natural de fala e escrita, o seu flow te define, é algo único de cada artista. O flow seria a roupa da sua música, o estilo, o jeito e principalmente a ginga dela, que vai fazer as pessoas amarem ou desgostarem do seu som.

Sendo assim, esses são os elementos básicos para se começar uma música do zero, cada aluno terá um rendimento, mas o importante é que todos tenham uma base para absorver e passar conhecimento através da arte.

  

  1. Base de Grafite

Esta aula se resume basicamente em dar aos alunos uma base de expressão através do desenho, porém, com singularidades diferentes, as cores, traços, formatos e expressionismo do grafite são fatores importantes que o diferenciam de outros tipos de desenhos, além disso, tem uma diferenciação a mais que são as fontes de letras mais abstratas com mensagens de analogias e metáforas representativas de protestos e desabafos.

O Grafite é primo do RAP, tem o mesmo ideal de passar mensagens positivas subliminares e tem como seu palco os muros das grandes cidades, dando vida à becos e vielas de milhares de cidades mundo a fora, sempre com um ponto de protesto e ao mesmo tempo motivação.

É uma forma fácil de entender os alunos e seus ideais através de desenhos. Fazendo uma análise básica de psicologia sobre os trabalhos desenvolvidos, podemos ter noção da mensagem que eles passam com uma clareza gigantesca. A aula dá todas as bases para se criar um grafite do zero e com certeza os resultados são extraordinários.

As bases para se criar um grafite são:

Esboço:

O esboço é um pré desenho, uma estrutura de bases geométricas desenhadas usando pouca força no lápis, é uma forma de demarcar a folha com clareza para dar o primeiro passo para o desenvolvimento final.

O esboço deve ser feito com cuidado e já projetando o desenho pronto em mente para que ele fique o mais perto possível do trabalho concluído. Ele é a base da base e deve ser feito com formas geométricas básicas para que fique visível e simples de ser entendido.

Enfim, o esboço é o primeiro passo para clarear o entendimento de qualquer pessoa leiga em relação a um trabalho de desenho.

Contorno

Contorno é o que dá formato ao desenho,  apagando as linhas de sobra da forma geométrica e deixando ele do formato exato que você deseja. As linhas do esboço devem ser fracas para que possam ser apagadas e corrigidas com facilidade no momento que for feito o contorno.

Contornando e reforçando os traços, o desenho vai tendo novas perspectivas e a singularidade vai se criando a partir disso. A ideia é contornar sempre pensando em fazer o desenho “saltar da folha” dando a ele uma perspectiva de profundidade.

Sombreado simples

O sombreado simples é a forma de dar mais vida ao desenho dando sensação de luz e mais percepção de profundidade ao trabalho realizado, ele deve estar focado em áreas do desenho de pouca luz como em dobras e cantos podendo ser feito em duas ou três tonalidades diferentes, forçando um pouco mais o lápis com a ponta deitada, usando a criatividade nos rabiscos e mostrando ainda mais seu jeito de mostrar sua arte.

O sombreado é usado em algumas poucas partes do desenho para que ele não fique estranho, com o tempo a sombra vai se aperfeiçoando e deixando o desenho cada vez mais realista.

Sombreado composto

Chamo de sombreado composto quando a técnica é usada atrelada a lápis de cor dando completa vida ao desenho, ela pode ser feita de duas formas, a primeira usando a mesma cor com tonalidades diferentes, que é um pouco mais complicado para os leigos, a segunda forma é usá-lo com o mesmo tom só que mais forte nas bordas e mais leve para o centro do desenho, dando uma perspectiva muito intensa de vida no desenho e sendo um pouco mais simples de realizar.

Personagem

Sempre foco nas aulas que a personagem tenha a ver com a essência mais pura do aluno, seus gostos, gestos, roupas e até mesmo os sonhos, para que ele se identifique com sua obra com clareza e se enxergue da forma que as pessoas provavelmente irão enxergá-lo, isso vai dar outro ponto de vista para o aluno em relação a sua arte e a seus desenhos.

Fundo

O desenho deve sempre passar por uma história, um local que represente sua ideia, um plano de fundo que te deixe reflexivo ao interpretar o desenho como um todo, ele é o momento que define o que a personagem está vivendo e que mensagem se passa por trás de tudo aquilo que o artista representa na composição geral da arte, simplificando a mensagem e detalhando mais ainda seu trabalho

Letras

O letreiro pode ou não estar vinculado com seu desenho. A letra pode ser a representatividade de algo ou de alguma coisa que tenha sentido direto para o aluno. Deve ser feito do mesmo jeito, com esboço, sombreados e até mesmo um fundo caso o aluno queira, e deve ter a essência do aluno na singularidade das letras e cores usadas. Além disso, o principal objetivo é extrair uma frase ou palavra que tenha a ver com o que o aluno está pensando ou sentindo naquele dia, por exemplo.

Esses são os requisitos para começar com total preparo um grafite básico do zero, com isso, o aluno pode começar a desenvolver seus trabalhos com o máximo de recursos, ferramentas e empenho possível.

 

  1. As 10 coisas

Essa aula começa sempre com um motivo, sendo ele algo que vem acontecendo na sociedade, no cotidiano comum ou aconteceu na escola ou na ONG naquele dia. Esse assunto é destrinchado por mim e dou meu ponto de vista sobre fatos parecidos que já vivi. Em seguida, os alunos entram em um debate saudável expressando opiniões sobre o assunto e aflorando neles uma profundidade de ideias sobre o tema. Assim inicio efetivamente a aula, pedindo para que eles escrevam 10 coisas sobre o assunto, por exemplo:

Briga sem motivo (algo muito recorrente entre eles)

10 coisas sobre como evitar as brigas sem motivo.

  1. Respeitar a opinião do próximo
  2. Respirar fundo e sair de perto de quem não me faz bem
  3. Me acalmar e pensar nas conseqüências
  4. Dizer o que está acontecendo a algum responsável
  5. Tentar conversar com quem está procurando brigar comigo
  6. Não gritar ou xingar para evitar a briga
  7. Não querer ser o dono da razão ou estar certo
  8. Não perder a paciência por besteira
  9. Pensar antes de agir
  10. Estar de bem com o máximo de pessoas

 

Basicamente, essa é a aula das 10 coisas. Dei um exemplo bem simples mas normalmente são temas mais profundos e eles desenvolvem com muito empenho e maestria, essa aula tem o intuito de mostrar pra eles com clareza que existem pelo menos 10 opções para fazer diferente perante uma dificuldade ou problema, e que eles não tem o direito de dizer que não havia o que fazer, ou que não há o que fazer, dando outro campo de visão perante o mundo a sua volta e ao mundo interno de cada um deles.

É uma das aulas mais requisitadas para que eles encontrem suas respostas para resolução de vários fatos que eles vivem e os fazem amadurecer com esse tipo de ferramenta simples e poderosa de encontrar suas próprias respostas sem passar pelos problemas de pedir opinião de alguém e acabar não tomando atitudes que para eles seriam ideais em determinados momentos. Para finalizar, essa aula reduz os conflitos internos e o medo de expressar seus pensamentos de forma clara e organizada, com a leitura da aula das 10 coisas fica muito mais claro e gravado na memória o que fazer e como agir quando o mesmo problema surgir em outra ocasião.

4- Os 3 motivos

A aula dos 3 motivos tem como intuito principal aflorar o entendimento interno sobre diversos assuntos, normalmente escolhido pelos próprios alunos. Esse assunto é visto de vários pontos diferentes de acordo com a fala deles em sala sobre o tema, isso ajuda na aceitação da opinião do próximo, além do direito da fala que normalmente eles não têm em nenhum ambiente.

Em geral, essa aula funciona da seguinte forma: o tema é dado e considerado de maneira única por cada aluno e eles concretizam o entendimento sobre o tema e tem que explicar o porquê da opinião dele ser aquela dando 3 motivos. É simples e ao mesmo tempo complexa, pois coloca cada um em reflexão explicativa, o que é muito pouco trabalhado neles.

Exemplo:

Tema: Fé

Opinião: A fé é muito boa para nossa vida.

  1. A fé é boa por que nos faz acreditar no impossível.
  2. A fé é boa pois sem ela nós desistiríamos facilmente de nossos sonhos.
  3. A fé é boa pois nos ajuda a encontrar saídas positivas para nossos problemas.

 

Por fim, peço para que os alunos façam um grafite que represente o tema para eles, mostrando ainda mais como eles se sentem em relação ao tema abordado.

Demonstrando com mais clareza os sentimentos mais interiores e não aflorados que eles guardam dentro de si, esse tipo de expressão traz uma paz interior gigantesca e os remetem a sentimentos e sensações boas e gratificantes.

  1. Desabafo

A aula de desabafo traz como base a expressão completa dos sentimentos que eles vêm aprisionando há dias, meses e até anos, lavando a alma e a mente de forma saudável,  acredito que esse formato de por pra fora os leva a criar mais autonomia de ação contra as dores internas que são nutridas diariamente  perante os problemas externos que eles são expostos com alto nível de envolvimento.

Esse entendimento vem com base de estudos de caso que costumo fazer em aula e na escola de forma geral. Creio que o montante de distúrbios externos causam grande dano interno, o que os leva de forma inconsciente a autodestruição e autoabandono, expressados em desníveis emocionais, uso de drogas, furtos e agressividade. Muitas vezes, posturas e atitudes desse tipo, que parte de diversos alunos, não são tratadas de forma correta por parte das autoridades e sociedade, que preferem resolver o problema sem combater sua raiz que está ligada diretamente ao externo. Cria-se assim um ciclo vicioso de famílias se destruindo e, por isso, a aula de desabafo é um passo para o autoconhecimento e a visão de novas saídas para dores internas constantes.

A aula de desabafo é constituída de uma pequena palestra feita por mim explicando como podemos nos reciclar e nos transformar, nos expressando e nos curando com cautela e eficácia, fazendo com que os alunos já se sintam mais confiantes para se abrir com calma e certeza do que se sentem.

A forma de expressão vem através de textos, poesias ritmadas ou não e grafites, podendo ser usadas metáforas e analogias que representem com total clareza o que eles sentem no mais profundo interno, fazendo muitas vezes um acesso breve ao inconsciente e trazendo à tona muitos dados sobre eles mesmos. Isso faz com que eles criem estratégias eficazes para se regenerarem perante os problemas e criando até mesmo uma autoproteção positiva para poder aprender a entender seus pensamentos negativos. Assim eles conseguem perceber com entendimento e clareza sobre quem eles realmente são, dentro de si mesmos.

Enfim, o desabafo é livre e único, vem da vida e sentimento de cada um, dando mais individualidade à forma de enxergar cada um deles, não como aluno, mas como ser humano, com história, dores, risos, lágrimas, pensamentos e ideias, que vem a partir de tudo o que eles são e como eles se representam e apresentam o que eles são para o mundo.

 

  1. Questionamento

Essa aula é específica para o entendimento de como eles se sentem em relação a algumas áreas da vida que são de extrema importância. São questões muito simples, mas que normalmente eles têm medo de fazer a si mesmos, pois englobam algumas dores e situações corriqueiras que os ferem. Porém eles não demonstram, muitas vezes até por acharem que não tem importância, por medo do que os outros vão dizer e pensar e também por já estarem acostumados a não demonstrar o que eles sentem verdadeiramente. Esse comportamento já é cultural entre eles, enfim, idade confusa, transição de diversos fatores e mudanças bruscas de hormônios faz com que essa aula seja um pouco mais pesada para os pré-adolescentes e ao mesmo tempo tenha uma maior importância em relação a exporem a ponto de criar entendimento sobre tudo que ocorre em suas vidas e até sobre o que eles sentem. Com isso, eles começam a saber o que é saudável e útil e o que é dispensável em relação ao que a mente cria.

Sabe-se que nenhuma verdade é absoluta, por isso sempre devemos alimentar pensamentos que nos tornem saudáveis, pois já que fantasiamos a vida a todo instante, que essas fantasias sejam úteis para nosso crescimento e desenvolvimento como seres humanos. A reciclagem de nossos pensamentos é algo que deve ser ensinado desde sempre para as nossas crianças, para que isso vire um hábito na vida adulta, fazendo com que nos conheçamos profundamente e nos faça crescer internamente de forma gigante.

Exemplo:

  1. Como é sua relação com sua família?
  2. O que você acha da escola?
  3. Como é sua relação com seus amigos?
  4. Como você se sente agora? Por que?
  5. Você se sente respeitado? Por que?

Essas questões têm um peso diferente para cada aluno, não há certo ou errado, pois a mente deles é uma projeção ligada aos acontecimentos mais marcantes de suas vidas. Com isso, devemos saber respeitar e tentar entender o que vem se passando com aquele ser humano para que possamos ajudá-lo. Todas as aulas têm o intuito de ajudá-los a amadurecer os sentimentos e conhecimentos. Acredito que estamos passando uma fase na humanidade que os jovens estão amadurecimento estupidamente, com foco em sexo descontrolado, uso abusivo de entorpecentes, necessidade neurótica de poder, necessidade neurótica de atenção, compulsividade em compras e alimentação, falta de ética em relação a si mesmo, ódio e raiva sem razão específica, falta de amor próprio, carência em excesso, ansiedade doentia  e com isso o desenvolvimento de doenças psicoemocionais só cresce em todo o mundo. A cura é algo simples , o autoconhecimento é nossa maior arma para lutarmos nessa guerra que foi criada pelo medo e dores da humanidade, por isso, desenvolvi aulas com o foco nessa área, porém, o mais básico e simples possível, se começarmos com o primeiro passo, podemos caminhar muito em prol de uma humanidade melhor.

 

  1. Interpretação musical

O fato de sabermos interpretar o que nos é imposto muitas vezes pela mídia, dá uma dimensão muito mais ampla sobre o que é realmente importante para nossa vida, além disso, é nítido que os jovens e crianças da atualidade têm uma dificuldade gigantesca nessa parte tão importante do crescimento pessoal deles. Com isso cresce o lixo sonoro que eles ouvem sem entender o contexto por trás do que vem sendo dito nas músicas que fazem “sucesso”. Quando somos treinados desde pequeno para ter um entendimento profundo sobre o que é dito e feito, começamos a ser mais seletivos e moderados. A arte precisa de entendimento e conhecimento para que possamos entender analogias e metáforas que são implantadas em líricas criadas por artistas que passam mensagens positivas para nossa vida.

Letras que são muito óbvias e diretas não fazem os jovens pensarem, e isso é péssimo, pois, a base da arte é uma estrutura que tira a mente da inércia e faz uso direto da imaginação e do inconsciente para criar clareza e nos ajudar entender nossos sentimentos com amplitude, esse é o super poder com que um verdadeiro artista já nasce. E se souber evoluir e aprimorar isso já muda a vida de muitas pessoas para melhor sem fazer esforço algum, apenas sendo transparente com sensações vivências, sentimentos, fantasias, realidades, sonhos, metas, histórias e tudo que ele enxerga como mundo de forma geral, tanto na parte material e carnal quanto a espiritual e sentimental. Enfim, interpretar é um dom que se desenvolve desde muito cedo, para que possamos distinguir o que é certo e verdadeiro para nossa vida e saibamos selecionar minuciosamente o que ouvimos e como compreendemos o que é transparecido a cada musica ou trabalho artístico em geral.

A aula de interpretação funciona da seguinte forma: eu escolho alguns RAPs que eu considero um trabalho artístico com uma mensagem ou mais, que seja útil e importante para a vida dos jovens e crianças, ouvimos a música juntos e eu peço para que cada um escolha um trecho da música e diga por que escolheu tal trecho e o que ele representa para si. Peço também para que eles digam que mensagens eles puderam extrair da música como um todo e tiram as dúvidas comigo das partes que eles não compreenderam na letra.

Sempre explico a importância da interpretação e como faz a diferença o entendimento claro daquilo que se ouve, pois ouvir vai além de simplesmente escutar. Saber nos aprofundar no sentimento transparecido pelo artista faz com que a música se torne uma âncora psicológica positiva que serve como um refúgio em momentos de dor aguda ou tristeza, além de poder ser um combustível para a felicidade já existente. Considero essa aula de extrema importância pelo fato de que a interpretação vai ser necessária para o resto de suas vidas, por isso permito que cada um analise de sua forma e sinta o que a música passa pra alma deles.

 

8Liberdade

A aula de liberdade segue ao pé da letra o fato de que eles podem usar a imaginação de uma forma composta, libertando milhares de sensações e sentimentos. Creio que a liberdade está vinculada ao abstrato, que não foi feita para ser entendida, mas sentida. Liberdade é o que é, pois cada um tem uma definição própria para ela e por essa razão ela é tão mágica e tão desejada por nós humanos.

Os alunos podem nesta aula soltar alguns versos que estão aprisionados no inconsciente mesmo que não faça um sentido absoluto. Eles devem se sentir bem e ter o direito de escrever sobre o que quiserem e da forma que quiserem. Os trabalhos sempre saem maravilhosos e cheios de incógnitas, e para os alunos que curtem mais o Grafite eu permito que desenhem, mas com o mesmo intuito do estilo livre, sem temas, sem regras e sem porquês e isso muda a perspectiva do que eles enxergam a arte. Sempre friso que independente de ter tema ou regras, eles devem usar as bases ensinadas tanto do RAP quanto do Grafite, pois temos que fazer direito todo e qualquer trabalho artístico.

A aula de liberdade muitas vezes faz com que eles me contem coisas que eles estão passando ou até mesmo escondendo. Não é proposital, mas como mexe com o inconsciente, eles acabam expressando o que está imerso dentro deles e isso é um aprendizado gigantesco tanto pra mim quanto para eles, pelo fato de eu já lidar com isso há 6 anos eu já detecto com muita facilidade o que eles estão sentindo por conta do desenho e até mesmo dos versos, mesmo parecendo que estão sem sentido ou lógica. Com isso, consigo mostrar pra eles que há algo acontecendo e que eles devem por pra fora sem medo.

Enfim, a aula de liberdade é sempre uma caixa de surpresas cheio de emoções e trabalhos artísticos maravilhosos, dando um entendimento interno profundo aos jovens e crianças, dimensionando de forma ampla as visões internas daquilo que eles pensam e sentem e com isso casando sentimento e razão que normalmente não são trabalhados com inteligência dentro deles. Sendo assim, a evolução começa a ser constante e intensa, pois eles têm as ferramentas para um autoconserto. Por isso, incentivo cada um a se libertar, sonhar com o impossível e lutar. É o que eu sempre digo: tudo nesse mundo só depende da nossa dedicação.

 

 

 

 

 

 

 

9- Aula de aproximação

 

Aproximar-se do sentimento das pessoas é essencial, é a base de qualquer relacionamento saudável, faço isso a todo tempo com os alunos e isso faz com que as aulas que precisam da entrega e da dedicação deles flua com muita facilidade, pois já crio uma confiança muito grande. Faço isso com “aulas livres” como bônus de bom comportamento na sala, com jogos, brincadeiras e esportes gerais. Tenho um conhecimento sobre isso e invento brincadeiras com rimas e desenhos para que além de tudo eles aprendam se divertindo e se familiarizem com a matéria.

O espaço que eles ganhar para explorar uma liberdade diferente dentro do ambiente escolar me dá autonomia de fazer trabalhos diversos com eles, cobrar mais potencial, respeito e disciplina por parte deles. É uma carta na manga que dá muito certo com todas as idades, além do que eu me divirto muito e me envolvo de corpo e alma nas brincadeiras e gincanas. Creio que preciso dar exemplo em todos os momentos e participar de tudo que ocorre, independente do que seja. Ali, naquele ambiente, sou um exemplo deles e devo agir como tal, sendo assim a aproximação se torna cada aula mais intensa e verdadeira entre ambas as partes, já que eu acabo me expondo para servir como base de entendimento sobre tudo o que eu levo como algo bom para a vida deles, sempre abrangente e aberto a posições contrárias que eles possam ter.

As gincanas são úteis até em momentos em que a sala está muito agitada, como em época de prova, por exemplo, onde eles se encontram sob muita pressão e desgaste. Forçar mais matéria e raciocínio transforma a sala em uma bomba-relógio prestes a explodir, por isso, uso as aulas de aproximação para relaxá-los e mostrar que eu entendo o momento em que eles estão passando. Com isso, crio reciprocidade em meus momentos de dificuldade e aperto e ao invés de ser afrontado acabo sendo acolhido e apoiado, por isso é de suma importância as aulas regulares de aproximação com muita diversão e amizade.

Estou me baseando numa tese de que diversos projetos morrem por falta de diversão e cumplicidade por parte dos professores com os alunos, criando um vácuo de distância muito grande de sentimentos e reciprocidade em geral, causando uma dificuldade muito grande em criar-se acordos que sejam beneficentes para ambas as partes. Por isso sempre vou defender a ideia de que nos abrirmos e nos divertirmos juntos irá tornar o ambiente escolar cada vez mais saudável e tranquilo. Assim, poderemos a partir daí notar uma mudança positiva, mesmo que mínima numa sociedade de um futuro próximo.

  • Metas

Metas são sonhos concretos, escritos, pautados e com datas a serem realizados. Ou até mesmo cria-se uma recorrência para que as pequenas, mas não menos importantes, metas virem uma rotina saudável e tornem os alunos pessoas melhores a cada dia, causando assim evolução constante no dia a dia deles. As metas me levaram a realizar grandes sonhos que pareciam muito distantes. Antes de eu ter o aprendizado de me organizar e colocar no papel o que eu realmente queria para um futuro próximo ou até um pouco mais distante, eu tinha muita dificuldade de fazer o que precisava ser feito. Com essa base de organização escrita e datada fica muito mais difícil que eu me perca em meio aos pensamentos desnecessários que interferem no decorrer do trajeto para que o objetivo seja alcançado.

O papel não faz julgamento, porém, sinto que ele cobra dia após dia o seu esforço já que nele você colocou o que você espera para o seu futuro a próprio punho, com toda sua dedicação e expectativa para os seus próximos dias de vida. Com isso, é gerado uma certa inspiração a fazer o que deve ser feito para que o sonho se realize ou para que as mudanças positivas aconteçam em sua vida. O trabalho de metas com os alunos é algo mais simples e leve, para que eles entendam a essência de ter metas em sua vida e não que criem metas mirabolantes para um futuro muito distante. Com isso eles vão pegando o ritmo aos poucos e com o tempo e dedicação amadureçam esse aprendizado para obterem novas conquistas e metas mais grandiosas para suas vidas.

A aula de metas funciona basicamente em 3 passos: no primeiro se escreve o que se deseja para o futuro, no segundo coloca-se uma data e o terceiro é dizer o que deve ser feito para que seja alcançado, atitudes, tarefas e até o que dizer e pensar perante as dificuldades do trajeto até a conquista final. Tudo isso é um trabalho mental para que eles se sintam mais fortes e preparados em meio a luta para a conquista das metas.

Eu já vi metas de todos os tipos e ouvi relatos inspiradores por parte dos alunos ao realizarem metas que muitas vezes parecem tão simples, porém, para eles tem um peso e uma dificuldade imensa. Enfim, acredito que a aula de metas é uma aula que mostra novos horizontes para os alunos e que os inspira a serem melhores e a querer lutar mais por aquilo que se acredita, mesmo parecendo algo fora de sua realidade.